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Orvalho Litterarius

Ontem o pregador de verdades dele

Falou outra vez comigo.

Falou do sofrimento das classes que trabalham

(Não do das pessoas que sofrem, que é afinal quem sofre).

Falou da injustiça de uns terem dinheiro,

E de outros terem fome, que não sei se é fome de comer,

Ou se é só fome da sobremesa alheia.

Falou de tudo quanto pudesse fazê-lo zangar-se.

 

Que feliz deve ser quem pode pensar na infelicidade dos outros!

Que estúpido se não sabe que a infelicidade dos outros é deles.

E não se cura de fora

(Alberto Caeiro)